“O rapaz que convida, envergonhadamente a rapariga de quem gosta, para sair. “Vamos tomar um café?” escreve no seu T9 enquanto espera ansiosamente pela resposta. “Sim”, recebe 5 minutos depois, a resposta que tardava a aparecer no ecrã do seu smartphone. A esplanada, iluminada pelo Sol radiante, avizinha-se o melhor local para se sentarem e disfrutarem de uma conversa interessante, de olhares que negavam encontrar-se e preferiam descansar pelos lábios que lhes apeteciam beijar. “Que desejam?”, interrompe o empregado impregnado pelas longas horas, pelo mau salário, pelo mau patrão. “Dois cafés e um isqueiro, se faz favor”. O telemóvel vibra com um e-mail de um amigo. O novo vídeo clip do músico X faz ambos sorrirem ao ouvirem o autor de que ambos gostam. O café chega. O cigarro acende-se. A conversa decorre. O Sol põe-se. O beijo acontece.

O bom que é saborear o café (quase) sempre acompanhado de um cigarro? O bom que é ver um vídeo (quase) sempre interessante e engraçado? Meus amigos, isto tudo vai acabar!
O governo quer acabar com o fumo em espaços públicos, o que numa primeira observação parece algo de bom porque levamos logo a rapariga (ou rapaz) para casa. Mas bem sabemos que as raparigas (tomara os rapazes), mal ouvem a palavra “casa” no primeiro encontro pensam logo, este gajo quer é disto, e tão facilmente disto não vai ter (é lixado, eu sei). E mesmo que cheguemos a casa com a rapariga e possamos fumar o belo do cigarro, sim, porque isto não é nenhuma distopia orweliana, não podemos ir ao youtube rir até cuspirmos um pulmão, fazer “trabalhos de casa” (também dá uma boa razão para o convite) a partir do wikipedia até o Control, o C e o V ficarem gastos, ou até mesmo vermos imagens e vídeos engraçados do Ganda Cena (se o servidor estiver nos EUA). Isto sem falar na melhor invenção de sempre, torrents. O megaupload já foi, o que sucumbirá perante a ganância dos grandes grupos?
A nossa liberdade de escolha e de informação está por um canudo, seja em forma de SOPA ou da lei anti-tabaco, a não ser que qualquer dia haja uma lei anti-tabagismo. Já estivemos mais longe.

Até os grandes grupos estão de cerco apertado. O governo há quatro anos atrás aprovou uma lei que define as regras contra o fumo em espaços públicos, até aqui muito bem, porque eu nem fumo, por isso não apanhar com o fumo dos outros quando estou a comer até que é agradável, só que, se cafés, restaurantes, bares e discotecas, investiram uns milhares de euros na adaptação dos seus espaços para não perder clientela, onde é que agora vão ver reembolsados desse dinheiro? Pois claro, em lado nenhum. Ou poderão se fiar na clientela do binómio CC (café/cigarro)? Vão perdê-la.

As tabaqueiras vêem-se agora com um grave problema entre mãos, sim, porque não é só o megaupload que sucumbe. O governo português quer banir as máquinas de tabaco que todos amam pela falta de controlo e comandos mesmo à mão de semear. Dizem que são um convite ao consumo, convite ao consumo é a quantidade de comunicação não existente por parte das entidades competentes. Será que é o dono do café que vai fazer contas de cabeça, verificando um número minúsculo no cartão de presidiário, digo, de cidadão? Eu não acredito muito nisso.

O mundo anda todo ao contrário. A liberdade pelo que os nossos antepassados tanto lutaram não passa hoje de um nome pomposo que em nada ajudará o novo casal a encontrar-se e apreciar o Sol quente. Não passa de uma mentira que nos impossibilitará de ver um vídeo no youtube (quem sabe no youporn). Não passa de uma escolha decidida por Velhos do Restelo que não entendem que se quisermos sacar um filme, ou fumar um cigarro que a escolha é nossa. O corpo e a liberdade do mesmo é de quem o corpo pertence. E o nosso corpo não pertence ao Governo.

 

Este texto é da autoria do nosso leitor Filipe Lopes, a quem agradecemos imenso o envio.

Imagens retiradas do Google Imagens.